À Morte
Zeca era um apaixonado pelo som que o seu quieto e reservado avô lhe oferecia e proporcionava. Todos às terças-feiras, e somente às terças, depois das aulas de ciências, Nilo, o seu avô, era o encarregado de buscar o pequenino na escola.
O caminho até a casa de Zeca durava, no máximo, sete minutos. Minutos suficientes para que Nilo alcançasse à alma de seu neto. O menino franzino era levado ao canto dos pássaros. Sempre tão silencioso, o cansado de bengalas, apenas assobiava as cantigas de seu mais profundo sentimento aos ouvidos daquele que lhe dava as mãos para atravessar as ruas entre padarias e árvores gigantes.
Zeca, ao contrário de Nilo, era inquieto e falador, mas em razão de tamanho encantamento, o magricelo era sucumbido à magia do assopro do sábio velho.
Em certa terça-feira, o avô atrasado, levou o menino Zeca aos seus minutos mais demorados. A aula de ciências já havia terminado há tempos. Zeca, sem entender, foi buscado pela mãe como no restante da semana. Durante o percurso – duradouro neste dia, sua mãe lhe entregou uma foto e uma carta:
“Querido Zeca. Lhe entrego aqui um retrato de teu rosto no momento em que ele surgiu para o mundo, pois foi diante dele que descobri tal assobio dos sonhos. Quando o amor lhe aparecer, você também descobrirá, para, somente assim - e quando chegar o seu momento, você poderá, enfim, alcançar o mundo dos pássaros, o seu avô aqui já está. Nilo”
…bonito