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Sem medo de ser infeliz!

07/11/2011

Transformar o sonho distante em realidade. A distância – neste caso, é literal. E desistir da acomodação cotidiana para aventurar-se em novos e desconhecidos percursos, também.

O desejo é um só: o de crescer.

A busca do conhecimento se dá através de duas correntes irremediáveis: a do conforto, ou a do desconforto. É simples. O sujeito – inquieto diante da condição que lhe foi atribuída ou conquistada, involuntariamente ou consciente – é sucumbido, em algum momento repentino de seu estado contestado, por um questionamento inevitável: e agora?

Mas, para isto, há de haver a contestação, evidente. E o comodismo e o desconfortável causam este efeito. Ou deveria, ao menos.

Há casos em que a mudança é agressivamente radical. Alguns, mais sutis, simplesmente, trocam o guarda-roupa. Outros, mais romantizados, de esposa, de marido. Uns, mais teóricos, de emprego. E outros, mais práticos, de país.

Não dá para se ter o termômetro exato de qual ação tomaríamos, neste instante. Até porque, seria impossível, e… Chato, oras!
Abrimos a gaveta empoeirada do escritório e nos deparamos com uma espécie de planilha do Excel para crises existenciais. Credo! Terrível.

A complexidade da mudança interior que se solidifica para drásticas modificações externas, sempre rendeu caldo para a literatura, que nos situa um bocado, vale ressaltar. Kundera, em “A insustentável leveza do ser”, narra a vida de Tomas, um romântico existencialista, em busca de paixão avassaladora. Com o alemão “A metamorfose”, Kafka aborda o processo de crescimento psicológico de Gregor Samsa. E Hermann Hesse, com o teu “Sidarta”, relata a corrida de um individuo desequilibrado à procura de paz espiritual.

O vazio é o combustível para a ação. A ociosidade é o agente que muda o mundo. Assim, nos modificamos. Então, que possamos sentir o desconforto, sempre!

A vida é transformação. O resto é bobagem.

E tudo – ao que me parece, gira em torno de um único denominador, comum e universal: a felicidade.

Bem, que os providos de alegria constante possam me perdoar, mas a dor é fundamental.

Ou, como diria Dostoiévski, a maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz. Obrigado, literatura, obrigado…

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